Esta Na Hora Dessa Gente Bronzeada Mostrar Seu Valor
Por Mário Castelar - A comunicação comercial brasileira vive um dos momentos mais difíceis da sua história. Nossas empresas, por melhor estruturadas que sejam, têm sido utilizadas como estúdios. Nossos maiores clientes são internacionais. O Brasil os atrai com força, porque os mercados lá de fora estão em crise e o nosso crescendo como nunca. Aqui há espaço para muita coisa, quase qualquer coisa que se possa imaginar.
Por Mário Castelar
A comunicação comercial brasileira vive um dos momentos mais difíceis da sua história. Nossas empresas, por melhor estruturadas que sejam, têm sido utilizadas como estúdios. Nossos maiores clientes são internacionais. O Brasil os atrai com força, porque os mercados lá de fora estão em crise e o nosso crescendo como nunca. Aqui há espaço para muita coisa, quase qualquer coisa que se possa imaginar.Mas não encontramos um jeito de afirmar nossa identidade.
Eles vêm. Mas chegam com sua cultura, sua língua, suas datas comemorativas (como haloween e o Dia de ação de Graças). Nos ignoram solenemente. Acreditam que o que é bom para eles há de ser excelente para nós.De nosso querem só o impulso de compra. Nem mesmo nossa moeda, incipientemente estável, os satisfaz.
Suas estratégias são alinhadas internacionalmente. Suas campanhas, globais. Seus comerciais e anúncios, traduzidos.A publicidade brasileira, que já foi uma das mais originais, ousadas e desafiadoras do mundo, está presa aos guide lines, aos templates, às fórmulas consagradas nos mercados maduros. E tome demo de produto e cenas familiares que só existem nos books.
Resultado é que andamos fazendo comunicação by the book. Sem sal, sem graça, sem jogo de cintura. Sem bamboleio.A esperança reside no fato de que toda a tendência traz consigo o seu contrário. Talvez o auge da globalização possa ser o ponto de partida de um novo tempo para as agências independentes e os clientes locais.Gente afinada com a realidade, a cultura, a estética e o tom da nossa terra, tipo Jacson do Pandeiro:“Eu só boto bebop no meu samba...Quando Tio Sam tocar um tamborim”.
Agências e clientes que fazem seus negócios nas nossas ruas e não nas salas da Madison Avenue ou da Avenue Des Champs Elysèes.Que olham de perto para nossas pessoas, não para planilhas ou slides PowerPoint.Pensando bem pode estar na hora “dessa gente bronzeada mostrar seu valor”.Nossa economia que começa a bancar a volta dos atletas do vôlei, do basquete e do futebol, pode bancar também a volta da comunicação e do marketing brasileiros.
Sem xenofobia, sem magoa, que “bom cabrito não berra” como dizíamos nas ruas de Niterói.Com Adoniran Barbosa (“nós viemos aqui para beber ou para conversar”), com o Boko Moko, com as pessoas aplaudindo o por do sol numa praia do Rio de Janeiro, com o primeiro sutiã.Com nosso jeito de ver e viver a vida. Afinal como disse Noel Rosa: “esse negócio de alô, alô boy, alô johnny, só pode ser conversa de telefone.”
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Mario Castelar é diretor de planejamento da agência BANTU – Inovação em Negócios.