Proposta de MG Pode Prejudicar o Varejo e a Indústria
Por Jonathan Dagues
Embora seja senso comum a importância dos promotores no PDV, seja pela perspectiva da indústria, do varejo, de agência, ou mesmo dos consumidores, está em tramitação no estado de Minas Gerais, uma ação teste, que precisa ser debatida. O Superior Tribunal do Trabalho de Minas Gerais acredita que a função do promotor é atividade fim do varejo e, por isso, esses profissionais não poderiam ter vínculos com indústrias e agências. Com isso, os promotores passariam a ser empregados diretos do varejo e não mais das indústrias.
Por Jonathan Dagues
Embora seja senso comum a importância dos promotores no PDV, seja pela perspectiva da indústria, do varejo, de agência, ou mesmo dos consumidores, está em tramitação no estado de Minas Gerais, uma ação teste, que precisa ser debatida. O Superior Tribunal do Trabalho de Minas Gerais acredita que a função do promotor é atividade fim do varejo e, por isso, esses profissionais não poderiam ter vínculos com indústrias e agências. Com isso, os promotores passariam a ser empregados diretos do varejo e não mais das indústrias.
Dentro dessa perspectiva, configura-se na cadeia uma nova realidade, que, a meu ver, comprometeria todos os envolvidos: indústria, varejo e agências. Penso que, nessa nova ordem, talvez os profissionais deixem de ser promotores, passando meramente a repositores. Além disso, fica o questionamento: teria o varejo a capacidade de absorver os impactos financeiros da realização de investimentos em treinamentos, que, hoje, estão sob a responsabilidade da indústria em parceria com as agências? Será que nesse novo formato os promotores teriam todo conhecimento necessário para realizar um trabalho diferenciado no PDV? E todo sortimento e abastecimento das lojas, seriam realizados com sucesso?
Creio que tais medidas legais podem gerar uma desordem no segmento, com prejuízos para todas as partes envolvidas na cadeia. Lembramos que um dos princípios básicos da terceirização de serviços de promotores é permitir que a indústria se concentre em seu core business. A indústria deve voltar suas energias para o desenvolvimento de produtos, fluxo produtivo e vendas. Já às agências cabe a parte tática, como o gerenciamento do PDV, monitoramento da concorrência, motivação e treinamento de equipes. Da mesma forma, se transferirmos a tarefa da ação promocional para o varejo, estaremos deslocando a atenção deste segmento de suas atividades primeiras.
É fato que o mercado de agências parece estar bastante prejudicado pela falta de representatividade e organização junto às autoridades e pela falta de regulamentação e de leis específicas. Tal panorama deu espaço para muitas agências precárias se instalarem no mercado, prejudicando a credibilidade deste tipo de serviço. Porém, não se pode ignorar que há agências sérias e saudáveis, que estão no mercado preparadas para treinar e gerenciar esses verdadeiros exércitos de promotores no PDV e que têm, de forma inegável, contribuído para o desenvolvimento da cadeia. É preciso “separar o joio do trigo” e partir para uma solução regulatória que leve todas as partes ao objetivo maior: a ampliação das vendas de produtos e a satisfação do cliente.
Jonathan Dagues é CEO da Work Able Group, diretor do Comitê de Trade Marketing da AMPRO e Coordenador de Promoção e Merchandising no Sindeprestem.