Crise fortalece cash & carry e redes se rendem ao formato
Varejo na Onda do Atacarejo
"O atacarejo foi um
fenômeno no Brasil. Ele demorou um pouco para se firmar, mas quando se firmou -
primeiro numa onda decrise norte-americana
de 2008,em que teve uma compressão de
renda -, o pessoal foi atrás do atacarejo." A análise é de Pedro Mattos,
diretor geral da Coop. Em entrevista exclusiva ao Jornal Giro News, o executivo
reforça que, com o cenário atual, o formato segue se fortalecendo. "Todo mundo
sempre esperou que o atacarejo fosse se esvaziar, mas veio mais uma crise, que
espero estarmos saindo dela em algum tempo, e isso reforçou o formato como
abastecedor, onde o consumidor consegue 'esticar' um pouco mais o seu
dinheiro." Para o diretor, a indústria foi responsável por turbinar o
crescimento do modelo, que saltou de um faturamento de R$ 80 bilhões em 2015,
para R$ 230 bilhões em 2021, segundo dados da Associação Brasileira dos
Atacarejos (Abaas).
Busca por Diferenciais
Apenas no estado de São
Paulo, 4.008 lojas foram inauguradas no canal de autosserviço alimentar entre
2012 e 2021, de acordo com dados da Varejo 360. O formato, que se tornou uma
das principais alavancas de expansão de diversos players em todo o Brasil, também
entrou no radar da Coop, com a estreia do "Meu Atacarejo". No entanto, segundo
Pedro Mattos, uma das principais estratégias para a bandeira é buscar se
diferenciar. "Muita gente foi para esse formato de olho na experiência daqueles
que experimentaram crescimento de vendas, talvez motivada por aquilo que o
vizinho estava fazendo. Aqui na Coop, temos uma clareza sobre esse movimento. A
gente não quer fazer tudo do mesmo jeito. Para nós, é um movimento que é muito
mais pragmático e que observa o comportamento do cliente. Portanto, queremos
estar lá também."
Nova Jornada de Compra
Apesar do boom do
atacarejo, a expectativa é que os formatos varejistas não percam totalmente seu
espaço na rotina do shopper. Na visão do diretor geral, o modelo de atacarejo vem
se tornando cada vez mais importante para "uma parte da jornada de compra". "O
atacarejo já está na jornada do cliente e o formato de supermercado também está
na vida do cliente e deve permanecer, e outros modelos podem surgir", projeta.
De olho nestas mudanças de mercado, a Coop também estuda criar operações de
hiper conveniência - segmento que foi fortalecido pelos novos hábitos de
compras ocasionados pela pandemia -, além de reforçar sua atuação online. "O
cliente não é mais cliente de um único formato. Conforme a sua jornada de
compras, ele está presente em um formato ou em outro. E o cliente que foi para
o e-commerce não volta para trás", ressalta Pedro.
Planos para o Atacarejo
Depois de transformar um
supermercado em atacarejo, a Coop pretende afinar a operação, para futuramente
trabalhar a expansão. "A loja de São José dos Campos foi escolhida para ser um
piloto porque ficou em um posicionamento que indicava uma resistência maior do
público para supermercados e uma aderência maior para atacarejo." Segundo o
diretor, a rede vai avaliar outras unidades que tenham a mesma situação, mas,
ainda assim, não devem ser feitas conversões em larga escala. "A gente sabe que
o cliente pessoa física tem circulado cada vez mais nesse formato, comprando
para abastecer sua casa. Então estamos entendendo o ajuste fino que teremos que
fazer, para que seja um atacarejo fiel às exigências do modelo, que são de
custo de transação, mas que também seja suave o suficiente para oferecer algum
grau de serviço", finaliza.
Conheça o primeiro atacarejo da Coop na TV Giro News!
Texto: Bruna Soares
