Grupo Seiva Cria Máquinas para Tratar Resíduo na Ponta
Logística Reversa é Matéria Prima


Texto: Júlia Pestana
Mesmo com a Política
Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) exigindo das empresas a prática da
logística reversa de 22% das embalagens colocadas no mercado, o Brasil recicla
apenas 2,1% do total de resíduos coletados. O percentual é o mesmo há 3 anos,
segundo dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS). Neste
cenário, o Grupo Seiva criou uma Indústria de Beneficiamento de Vidros em Minas
Gerais. Atualmente, a empresa trata as garrafas de vidro da Heineken Brasil e
PETs. Em entrevista exclusiva ao Jornal Giro News, Daniel Nascimento, CEO do
Grupo Seiva, conta que a empresa tem o controle total da cadeia de
circularidade: "o consumidor coloca o vidro na máquina, ele é triturado,
entregue para a cooperativa, que comercializa esse vidro para Owens Illinois,
que, por sua vez, fabrica uma nova garrafa para Heineken".
Tratamento do Resíduo na Ponta
O Grupo Seiva também
realizou a logística reversa do supermercadista Super Nosso e, no início,
chegou a coletar 200 quilos de long necks em uma rua de bares em Belo Horizonte.
Com isso, a empresa focou na criação de máquinas que trituram o vidro. "O
futuro da logística reversa depende muito, ou quase na sua totalidade, da forma
como é feita na ponta, porque facilita todo o processo de armazenamento, gestão
e transporte." Segundo o CEO, a empresa está expandindo essa coleta com um
projeto que se propõe a ter circularidade de 12 a 13 mil toneladas de vidro por
ano. "Tínhamos a meta de coletar, em 3 meses, 30 toneladas em 5 bares. O
objetivo foi alcançado em 25 dias." Com esta iniciativa, a empresa pretende
estar em 4 capitais, com 400 máquinas.
Projetos e Tendências
Além deste projeto, o
Grupo Seiva possui as iniciativas 4Glass e 4Pet, que estão ligadas a duas
companhias: os programas Volte Sempre e Ponto Caco, da Heineken, que coleta as
garrafas e o consumidor recebe cashback após o descarte; e o REPET, com a
Fecomércio. Este último é voltado para garrafas PET e visa, até o final de
2022, instalar PDVs que filetizam o plástico em supermercados. "A Fecomércio
está fabricando seis máquinas e, até dezembro, vai estar com 50. Em 2023,
pretende chegar a 500 no estado do Rio de Janeiro", conta o executivo. "A
tendência da logística reversa é a tecnologia, a circularidade, tratar o
resíduo na ponta e suprir a demanda de materiais das empresas sem precisar
importar algo que já temos", finaliza Daniel.
