A Inovação no Departamento de Contas a Receber como Motor da Adimplência
*Por Pedro Bono
Oferecer um
relacionamento personalizado aos clientes não é uma tarefa fácil para os
gestores de contas a receber. É comum haver uma alta complexidade operacional
nos departamentos financeiros das empresas, que dificultam a criação de
processos operacionais eficientes e a comunicação apropriada com clientes,
capazes de manter os índices de inadimplência em níveis reduzidos.
Neste
contexto, a inovação tem assumido protagonismo na potencialização da eficiência
nos departamentos financeiros. Com ferramentas tecnológicas, as empresas
reduzem horas de trabalho do time dedicadas às atividades repetitivas e de
baixa complexidade no contas a receber, permitindo o direcionamento dos
esforços para a construção de relacionamentos personalizados com os clientes.
Além disso, as soluções inovadoras favorecem a valorização dos profissionais da
área, pois potencializam a produtividade e trazem resultados quantificáveis ao
time.
Estrutura operacional encontrada nas
empresas
Frequentemente,
os departamentos de contas a receber das empresas no Brasil possuem grande
parte de suas atividades operacionais realizadas de forma manual pelo time financeiro.
Essa condição negativa é uma contribuição inconsciente da organização para que
a inadimplência permaneça em elevados níveis, como se fosse inerente ao
segmento de atuação ou simples característica dos clientes da empresa.
As lacunas de
eficiência derivadas da gestão ineficiente exigem grande e desnecessário tempo
dos profissionais e ofuscam o potencial das equipes. Normalmente, os times
financeiros das grandes empresas apresentam diferenciada formação acadêmica e
elevada capacidade técnica, mas acabam sendo remunerados para executar
atividades rotineiras ao invés de gerenciar e aprimorar o processo operacional.
Como a eficiência operacional impacta
a relação com os clientes
Um dos
aspectos centrais da gestão eficiente de contas a receber é a forma como a
empresa se relaciona com seus clientes. O redesenho operacional, fruto da
inovação, permite o redirecionamento estratégico dos profissionais para
repensar a comunicação com clientes. Já atingimos uma sofisticação tecnológica
que permite ao time construir relações individualizadas com os clientes,
representando uma mudança estrutural de relacionamento.
Essa evolução
permite, por exemplo, a aplicação de técnicas de aprendizagem de máquina para
modelar o comportamento de pagamento dos clientes e melhorar a gestão do contas
a receber. De forma complementar, é possível automatizar a criação de matrizes
de canal de contato, a partir da hierarquia de canais de maior frequência de
resposta de cada cliente, melhorando o relacionamento e reduzindo despesas
operacionais.
Importante
destacar que a inovação não aparece apenas na forma de ferramentas e de desenho
operacional no departamento financeiro, a dimensão mais relevante da inovação é
pouco discutida e endereça como os dados originados em diferentes atividades se
transformam em insumos para a melhoria dos processos. É comum encontrar
empresas engajadas em introduzir tecnologias inovadoras no departamento que
produzem dados de forma contínua, mas que não acessam o grande valor oferecido
pelos dados por não haver interações entre eles.
O caminho
usual encontrado pelas empresas para acessar o valor dos dados gerados nas
atividades no contas a receber passa pela utilização de ferramentas abrangente
que já possuem a estrutura pronta para a interação dos dados, ou pela criação
de times de engenheiros de dados e cientistas de dados para construir o caminho
até lá.
Logo, a gestão
inteligente no departamento de contas a receber depende do tripé de inovação,
composto pelas ferramentas, pelos processos e pela interação dos dados gerados
no departamento. Tal eficiência é rapidamente percebida pelos clientes que,
como resposta, condicionam a pontualidade nos pagamentos.
*Pedro Bono é CEO e cofundador na Receiv, plataforma
inteligente de contas a receber.
