Os novos pilares do varejo: Personalização, Análises Preditivas e Inteligência Artificial
*Por Lyana Bittencourt,
CEO do Grupo Bittencourt
Na
era digital, a intersecção da inteligência artificial (IA) com varejo não é
apenas inevitável, mas essencial para as marcas que procuram inovar e
permanecer relevantes.
No
centro da revolução da IA no varejo está a criação de um ecossistema que
melhora a experiência de compra dos consumidores sem que isso represente uma
venda de forma direta. Em vez de ver a IA como uma ferramenta para gerar
vendas, as marcas devem vê-la como um meio de criar valor para os clientes,
seja através de experiências de compra personalizadas ou resolvendo dores
comuns da jornada de compras, como devoluções de produtos por exemplo.
Com
a IA, as marcas podem adaptar as experiências de compra às preferências
individuais dos consumidores, oferecendo sugestões personalizadas de produtos.
Esta abordagem não só melhora a experiência de compra, mas também aborda a
questão da inclusão, fazendo com que os clientes se sintam vistos e
compreendidos ao apresentar produtos que são relevantes para eles.
Algumas
tecnologias trazem uma virada de jogo para alguns segmentos do varejo. É o caso
das vitrines virtuais para o setor de moda. O consumidor consegue fazer o
upload de fotos e a tecnologia permite que vejam quais produtos e modelagens
são mais adequados para seu formato do corpo, tamanho e tom de pele. Dessa
forma, as marcas podem reduzir significativamente as devoluções e aumentar a
satisfação do cliente. Esta tecnologia não só aumenta a confiança nas compras
online, mas também representa um passo significativo em direção à inclusão no
varejo.
Outro
aspecto crítico da IA no varejo é a sua capacidade de melhorar a descoberta de
produtos. A IA pode aumentar as descrições dos produtos com um conjunto mais
amplo de atributos, tornando mais fácil para os consumidores encontrarem o que
procuram, quer iniciem a pesquisa no site de uma marca ou em um mecanismo de
pesquisa como o Google, por exemplo. Esta capacidade é particularmente
importante à medida que o comportamento de pesquisa e busca de referências
evolui, com consumidores interessados em saber mais sobre os produtos que
consomem.
Outro
aspecto importante é a compreensão das preferências de compra de diferentes
gerações. A Geração Z, por exemplo, cresceu com a tecnologia e tem expectativas
distintas em relação à experiência de compra, privilegiando opções de busca
visual e interativa. As marcas precisam reconhecer estas preferências e adaptar
as suas estratégias, seja através de recomendações de produtos baseadas em IA
ou de experiências adaptadas ao comportamento de pesquisa visual.
O
futuro do varejo passa por proporcionar experiências integradas e contínuas,
onde os limites entre as compras online e offline já não existem mais. A IA
pode desempenhar um papel fundamental na ligação entre esses canais, desde
permitir que os clientes verifiquem a disponibilidade do produto na loja antes
de visitá-la até aproveitar a realidade aumentada (AR) para testes virtuais de
produtos que podem aprimorar as experiências na loja e no online. A ideia é
tornar a jornada de compras mais coesa, consistente e conveniente.
